Canadá forma nova parceria comercial com a China em meio a tensões com os EUA

O primeiro-ministro Mark Carney estabelece uma nova parceria estratégica com a China, visando diminuir tarifas e fortalecer laços comerciais em meio a conflitos com os EUA.

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16/01/2026, 15:23

Autor: Ricardo Vasconcelos

Uma imagem vibrante que representa a nova parceria entre Canadá e China, com um fundo que destaca o Grande Salão do Povo em Pequim e bandeiras dos dois países. O primeiro-ministro canadense Mark Carney apertando a mão do presidente Xi Jinping, em um gesto de cooperação, enquanto um grupo diversificado de canadenses e chineses observa de maneira otimista, simbolizando a convergência das economias.

O Canadá e a China estão se aproximando em um momento decisivo de suas relações, com o primeiro-ministro Mark Carney anunciando uma nova parceria estratégica enquanto as tensões entre o Canadá e os Estados Unidos, sob a administração do ex-presidente Donald Trump, se intensificam. Em uma visita histórica a Pequim, Carney, que é o primeiro primeiro-ministro canadense a visitar a China desde 2017, encontrou-se com o presidente Xi Jinping, marcando um ponto de virada nas relações que já haviam passado por dificuldades devido a uma série de eventos geopolíticos complexos.

A relação entre os dois países foi prejudicada pelo sequestro de Meng Wanzhou, CEO da Huawei, por autoridades canadenses, uma ação que causou sérios danos às interações diplomáticas. No entanto, agora ambos os países parecem estar prontos para deixar os desentendimentos no passado e caminhar em direção a uma colaboração mais frutífera. Carney destacou na sua visita que o objetivo principal da nova parceria é o comércio, focando particularmente na troca de bens agrícolas e veículos elétricos. Essas conversas surgem em um momento em que o Japão e a Coreia do Sul observam com interesse como a dinâmica das relações comerciais está mudando na região.

Um foco importante deste acordo é a eliminação de tarifas sobre produtos agrícolas canadenses, além das concessões para veículos elétricos chineses. O Canadá, que não possui uma indústria consolidada de veículos elétricos, verá suas empresas se beneficiando da importação desse tipo de automóvel a preços competitivos, enquanto a China se beneficiará do mercado canadense para suas commodities agrícolas, como canola e lagostas. Essa interdependência tende a proporcionar um ambiente de "ganha-ganha" para ambos os países e um contraponto ao crescente protecionismo dos Estados Unidos.

No entanto, críticos alertam que essa troca de tarifas pode ser mais simbólica do que prática. O limite de 49.000 unidades para veículos elétricos chineses representa uma quantidade pequena em comparação ao total de veículos que o Canadá importa, e pode não impactar significativamente o panorama automotivo no país. Além disso, a remoção de uma tarifa, considerada punitiva, pode ser menos um passo para um tratado abrangente e mais uma tentativa de aliviar problemas de curto prazo no comércio bilateral.

Os relatos de fontes políticas canadenses indicam que a adminstracão Trump, com sua postura agressiva e isolacionista, criou um ambiente em que o Canadá se viu forçado a diversificar seus parceiros comerciais. Embora os EUA tenham considerado o Canadá um aliado fundamental, a política atual tem levado a um distanciamento. O ex-embaixador canadense na China, Guy Saint-Jacques, expressou que o tratamento que o Canadá está recebendo de Washington é de hostilidade, o que faz do estreitamento de laços com a China uma estratégia de sobrevivência econômica e política.

Em um contexto mais amplo, a nova parceria do Canadá com a China também reflete uma tendência global, onde nações que tradicionalmente mantinham alianças firmes estão reconsiderando suas posições em face da instabilidade política e econômica. Se a União Europeia e outras nações começaram a questionar sua dependência dos EUA, a aliança Canadá-China poderia representar uma vanguarda de como a economia global pode se reestruturar em resposta a mudanças nas dinâmicas de poder.

A visita de Carney a Pequim marca um compromisso em ver a China não apenas como um rival no comércio, mas como um parceiro potencial em uma realidade onde os sistemas de valor estão mudando. As expectativas são altas tanto para os consumidores canadenses, que poderão acessar veículos elétricos de qualidade a preços acessíveis, quanto para os agricultores, que poderão retomar um diálogo comercial que havia diminuído. As relações entre esses dois países, embora complexas, podem se basear em interesses mútuos que resultem em benefícios econômicos significativos.

Enquanto isso, alguns analistas se questionam sobre o futuro a longo prazo dessa nova parceria. A capacidade da China de respeitar compromissos comerciais e a adequação do governo canadense em equilibrar as relações com os EUA e a China, duas potências tão diferentes, será uma tarefa desafiadora. O tempo dirá se esta nova virada se tornará um modelo para outras nações em busca por alternativas além das relações tradicionais, ou se será mais um episódio temporário em um cenário geopolítico tumultuado.

Fontes: The Guardian, NBC News

Detalhes

Mark Carney

Mark Carney é um economista e político canadense, ex-governador do Banco do Canadá e do Banco da Inglaterra. Ele é conhecido por sua atuação em políticas monetárias e financeiras, além de seu papel em questões relacionadas à mudança climática e à sustentabilidade econômica. Carney é amplamente respeitado por sua experiência em finanças globais e por sua habilidade em navegar crises econômicas.

Huawei

A Huawei é uma das maiores empresas de tecnologia da China, especializada em equipamentos de telecomunicações e dispositivos eletrônicos. Fundada em 1987, a empresa tem se destacado no desenvolvimento de infraestrutura de redes 5G e smartphones. No entanto, a Huawei tem enfrentado controvérsias internacionais, especialmente relacionadas a questões de segurança e espionagem, o que resultou em sanções e restrições em vários países, incluindo os Estados Unidos.

Meng Wanzhou

Meng Wanzhou é a CFO da Huawei e filha do fundador da empresa, Ren Zhengfei. Ela ganhou notoriedade internacional em 2018, quando foi presa no Canadá a pedido dos Estados Unidos, que a acusaram de fraude. O caso gerou tensões diplomáticas significativas entre o Canadá, a China e os EUA, tornando-se um símbolo das complexas relações entre essas potências.

Resumo

O Canadá e a China estão se aproximando em um momento decisivo, com o primeiro-ministro Mark Carney anunciando uma nova parceria estratégica durante sua visita a Pequim, a primeira de um primeiro-ministro canadense desde 2017. As relações entre os dois países foram prejudicadas pelo sequestro de Meng Wanzhou, CEO da Huawei, mas agora ambos parecem dispostos a superar os desentendimentos. A nova parceria foca no comércio, especialmente na eliminação de tarifas sobre produtos agrícolas canadenses e concessões para veículos elétricos chineses. Críticos alertam que as mudanças podem ser mais simbólicas do que práticas, dado o limite de importação de veículos elétricos. A administração Trump, com sua postura isolacionista, forçou o Canadá a diversificar seus parceiros comerciais. A nova aliança também reflete uma tendência global de reavaliação de alianças tradicionais. A visita de Carney representa um compromisso em ver a China como um parceiro comercial, embora desafios permaneçam na manutenção de um equilíbrio entre as relações com os EUA e a China.

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