16/01/2026, 16:11
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em uma reviravolta inesperada nas relações comerciais da América do Norte, o Canadá anunciou sua decisão de cortar tarifas sobre veículos elétricos (EVs) chineses, um movimento que surge no contexto de crescente isolamento dos Estados Unidos. A medida marca uma mudança significativa na política comercial canadense, que poderá ter repercussões profundas na indústria automotiva e na concorrência de mercado nos próximos anos.
Segundo as novas diretrizes, a tarifa sobre 49.000 veículos elétricos chineses será reduzida a 6%, sendo que esse número poderá aumentar para 70.000 em cinco anos. O acordo foi considerado um ato estratégico para neutralizar as tensões econômicas criadas pelos recentes posicionamentos dos Estados Unidos em relação ao comércio, especialmente sob a administração de Donald Trump, que instaurou tarifas elevadas e adotou uma postura isolacionista em relação a diversos aliados tradicionais, além de promover uma narrativa de "America First".
Analistas apontam que essa decisão pode abrir caminho para uma nova era no acesso aos veículos elétricos em solo canadense, dando aos consumidores opções a preços mais acessíveis e potencialmente pressionando as montadoras de veículos existentes a ajustar suas ofertas e preços. "A entrada dos EVs chineses no Canadá pode baixar significativamente os preços dos veículos no mercado, tornando a aquisição deles mais viável para a população", afirma uma fonte da indústria.
Os comentários sobre essa decisão no ambiente público revelam uma série de opiniões, com muitos reconhecendo a necessidade de diversificação na oferta de veículos elétricos para estimular a concorrência e, consequentemente, os preços. Enquanto alguns se preocupam com o impacto sobre a indústria automotiva nacional, outros acreditam que pode ser uma oportunidade de revitalização e inovação dentro do setor. O fato de que grandes fabricantes como Honda e Toyota já têm operação no Canadá e hojem uma sólida presença no mercado de EVs e híbridos diminui as apreensões de que a medida possa ameaçar o emprego no setor.
O governo canadense, por meio dessa iniciativa, pode estar mirando não apenas o fortalecimento das relações comerciais com a China, mas também preparando o terreno para uma nova dinâmica no setor automotivo na América do Norte. "Essa é uma clara demonstração de pragmatismo que poderá influenciar positivamente o setor automobilístico canadense. Pode até servir de modelo para que outros países na região reconsiderem suas posturas e tarifas em relação às montadoras chinesas", sugere outro especialista.
Entretanto, muitos canadenses estão céticos quanto à finalidade dessa mudança. Eles questionam a real intenção do governo em manter um relacionamento comercial com a China, considerando as atitudes políticas do regime chinês em diversas questões de direitos humanos e ordem internacional. Essa preocupação ainda polariza a opinião pública, o que levanta questões sobre como seriam construídas as relações comerciais no futuro. "Estamos buscando um aliado que respeite a democracia e a soberania de seus vizinhos e o que temos agora parece ser uma relação de conveniência”, comenta um observador do cenário político.
A pressão sobre o Partido Republicano nos EUA também não passou despercebida com essa nova diretriz. Diante de um cenário em que as montadoras americanas tradicionalmente dominam o mercado e enfrentam dificuldades financeiras, muitos argumentam que o panorama econômico pode se agravar ainda mais. A decisão do Canadá é percebida por alguns comentaristas como uma advertência às grandes montadoras americanas, como a Stellantis, que vêm sofrendo com a falta de inovação e adaptação às novas demandas do mercado por veículos mais sustentáveis.
Com um futuro incerto, as montadoras norte-americanas enfrentam um novo desafio: não apenas competir com os EVs já estabelecidos no mercado, mas agora lidar com a iminência de marcas chinesas altamente competitivas e eficazes. "Se as montadoras americanas não se adaptarem rapidamente, irão perder uma fatia significativa do mercado para essas novas opções", prevê um especialista em economia automotiva.
A situação atual traz à tona uma discussão ainda mais ampla sobre o futuro da indústria automobilística e a verdadeira natureza do comércio nos dias de hoje. A movimentação do Canadá poderá induzir uma série de acordos semelhantes ao redor do globo, com países europeus possivelmente seguindo o exemplo, numa tentativa de reequilibrar suas economias diante de um ambiente global em constante mudança e cada vez mais caótico. Por fim, essa nova aliança entre o Canadá e a China em matéria de veículos elétricos pode ser um primeiro passo em direção a novas parcerias estratégicas que moldarão o futuro do comércio internacional e da indústria automotiva nas próximas décadas.
Fontes: ABC News, The Globe and Mail, Financial Times
Detalhes
Donald Trump é um empresário e político americano que serviu como o 45º presidente dos Estados Unidos, de janeiro de 2017 a janeiro de 2021. Conhecido por sua abordagem controversa e políticas isolacionistas, Trump implementou tarifas elevadas sobre produtos importados, promovendo a narrativa de "America First" e buscando proteger a indústria americana. Sua administração teve um impacto significativo nas relações comerciais dos EUA com diversos países, incluindo o Canadá e a China.
Resumo
O Canadá anunciou a redução das tarifas sobre veículos elétricos (EVs) chineses, uma decisão que pode impactar a indústria automotiva da América do Norte. A nova tarifa, que será de 6% para 49.000 veículos, poderá aumentar para 70.000 em cinco anos. Essa mudança visa neutralizar as tensões econômicas geradas pelas políticas isolacionistas dos Estados Unidos, especialmente sob a administração de Donald Trump, que impôs tarifas elevadas e priorizou a política "America First". Especialistas acreditam que a entrada dos EVs chineses pode tornar os preços mais acessíveis e pressionar as montadoras locais a se adaptarem. Embora muitos vejam a diversificação como uma oportunidade, há preocupações sobre a relação comercial com a China, dada a situação dos direitos humanos no país. A decisão também pode representar um desafio para as montadoras americanas, que já enfrentam dificuldades financeiras e precisam inovar para não perder mercado para as marcas chinesas. O movimento do Canadá pode inspirar outros países a reconsiderarem suas políticas comerciais em um cenário global em constante mudança.
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