Camboja homenageia o rato desminador Magawa com estátua

O Camboja revela uma estátua em homenagem ao rato Magawa, reconhecido por detectar minas terrestres e salvar vidas durante sua carreira.

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05/04/2026, 17:57

Autor: Laura Mendes

Uma estátua realista e impressionante de um rato gigante africano em pedra, cercada por flores coloridas e pessoas admirando, simbolizando um tributo ao heroísmo de Magawa no Camboja.

O Camboja fez uma homenagem ao seu herói inesperado, inaugurando a primeira estátua do mundo dedicada a um rato desminador, Magawa, que ganhou notoriedade por seu trabalho vital na deteção de minas terrestres. A estátua foi inaugurada em Siem Reap, na sexta-feira, como parte das celebrações do Dia Internacional da Conscientização sobre Minas, que acontece em 4 de abril. O evento tem como objetivo aumentar a conscientização sobre os riscos das minas terrestres, que ainda afetam milhões de pessoas em todo o mundo.

Magawa, um rato gigante africano, foi treinado pela ONG belga Apopo e se destacou em sua missão de detecção de explosivos, tendo conseguido identificar mais de 100 minas terrestres e outros dispositivos explosivos ao longo de sua carreira de cinco anos, que começou em 2016. O impacto do trabalho de Magawa foi imenso, já que ele desminou mais de 141.000 metros quadrados de terreno, o que equivale a cerca de 20 campos de futebol, permitindo que essas áreas voltassem a ser usadas pela população local sem o medo de explosões iminentes.

A escolha de um rato como este tipo de detetor de minas pode parecer incomum, mas, devido ao seu pequeno tamanho, esses animais têm a grande vantagem de não serem pesados o suficiente para detonar as minas. O trabalho de detecção é realizado com base no agudo senso de olfato dos ratos, que é treinado para reconhecer compostos químicos presentes nas minas. Quando um rato detecta a presença de uma mina, ele alerta os manipuladores humanos, que podem então remover o perigo com segurança.

Magawa ficou conhecido por sua eficiência. Ele podia examinar um campo do tamanho de uma quadra de tênis em apenas 20 minutos, um feito que destaca não apenas suas habilidades, mas também a importância da tecnologia no desminagem. Em 2020, sua contribuição inestimável foi reconhecida quando ele recebeu a Medalha de Ouro da PDSA, a prestigiosa organização de bem-estar animal que tradicionalmente premia apenas cães e animais de serviço. Magawa tornou-se, assim, o primeiro rato a receber tal honra nos 77 anos de história da PDSA.

Após se aposentar devido ao avanço da idade, Magawa morreu em 2022, mas deixou um legado que continua a inspirar e educar sobre a questão das minas terrestres no Camboja e em outras partes do mundo. O gerente do programa da Apopo no Camboja, Michael Raine, declarou que a estátua serve como um lembrete da urgente necessidade de desminagem nos solos cambojanos, onde se estima que mais de um milhão de pessoas ainda vivem sob a ameaça de minas e munições não detonadas. A ONG tem como meta ajudar o país a se tornar livre de minas até 2030.

Além do trabalho desenvolvido no Camboja, a Apopo tem uma longa história de sucesso na formação de roedores para detectar minas e explosivos em várias partes do mundo. Desde a década de 1990, a ONG vem utilizando a versatilidade dos HeroRATS, que também são treinados para detectar tuberculose, uma doença que mata milhões todos os anos e que poderia ser identificada de forma muito mais rápida do que em métodos tradicionais laboratoriais. Outro rato treinado pela Apopo, denominado Ronin, quebrou recordes em 2025 ao descobrir mais de 100 minas e dezenas de munições, provando que os responsáveis pelas operações de desminagem estão sempre à procura de novas formas de empregar esses habilidosos roedores.

O impacto dos HeroRATS está além do mero desminagem. Seus esforços colaboram com o bem-estar da sociedade, permitindo que as terras contaminadas se tornem novamente seguras para residências e cultivo, melhorando assim a vida de muitos. As minas terrestres ainda representam um desafio significativo para o desenvolvimento do Camboja e de várias nações que lutam contra os efeitos residuais de conflitos armados. A conscientização através de homenagens como a estátua de Magawa é fundamental para manter o foco da comunidade internacional nesta luta.

Enquanto o país avança em sua busca para a desminagem, o legado de Magawa é um farol de esperança. Essa inusitada homenagem a um rato que salvou vidas destaca a criatividade e eficácia das técnicas modernas de desminagem e a importância de se buscar soluções inovadoras em problemas complexos.

Fontes: The Guardian, BBC News, PDSA

Detalhes

Apopo

A Apopo é uma ONG belga fundada na década de 1990, conhecida por treinar roedores, especialmente ratos, para detectar minas terrestres e tuberculose. A organização utiliza a habilidade olfativa dos HeroRATS para identificar explosivos e doenças, contribuindo significativamente para a segurança e saúde em diversas regiões do mundo. Com o objetivo de ajudar países a se tornarem livres de minas, a Apopo tem se destacado na inovação de métodos de desminagem e no combate à tuberculose, melhorando a vida de muitas comunidades.

Resumo

O Camboja homenageou o rato desminador Magawa, inaugurando sua primeira estátua em Siem Reap, durante as celebrações do Dia Internacional da Conscientização sobre Minas. Magawa, um rato gigante africano treinado pela ONG Apopo, ganhou notoriedade por detectar minas terrestres, identificando mais de 100 explosivos em sua carreira de cinco anos, que começou em 2016. Seu trabalho desminou mais de 141.000 metros quadrados de terreno, permitindo que essas áreas fossem reutilizadas pela população local. A escolha de um rato para essa função é eficaz, pois seu pequeno tamanho evita detonações. Magawa recebeu a Medalha de Ouro da PDSA em 2020, tornando-se o primeiro rato a ser premiado. Após sua aposentadoria em 2022, ele deixou um legado que continua a inspirar a conscientização sobre minas terrestres. A Apopo, que treina roedores para detectar minas e tuberculose, busca ajudar o Camboja a se tornar livre de minas até 2030. A estátua serve como um lembrete da necessidade urgente de desminagem no país, onde mais de um milhão de pessoas ainda enfrentam esse risco.

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