20/02/2026, 19:32
Autor: Ricardo Vasconcelos

A Brighthouse Financial, uma companhia de seguros e serviços financeiros, está no centro de um debate crescente sobre a publicidade de compra de ações não reclamadas de seus antigos acionistas a preços abaixo do mercado. Essa questão surge após a descoberta de indivíduos que herdaram ações da empresa, possivelmente associadas a produtos de seguro de vida da MetLife, que se separou da Brighthouse em 2017. O caso particular que gerou interesse crescente envolve um cidadão que recebeu uma proposta para vender ações que sua mãe possuía, mas sem o conhecimento prévio do titular.
Os comentários de diferentes envolvidos nesse caso revelam um padrão preocupante. Muitos sugerem que a empresa que ofereceu a compra pode estar agindo como intermediária, propondo valores substancialmente mais baixos do que o atual no mercado. Informações apontam que essas transações podem ser uma prática comum, onde empresas oferecem "auxílio" na reivindicação de propriedades não reclamadas. Embora isso possa aliviar a burocracia para alguns, o risco de abandonar uma parte significativa do valor patrimonial é elevado, especialmente sem um entendimento adequado do que está em jogo.
A proposta de aquisição de ações por um preço abaixo do valor real levanta questões sobre a ética de tais práticas comerciais. Um dos comentários nota que a tentação de aceitar a oferta pode ser grande, especialmente se o falecido possuía ações em papel não reclamadas. Contudo, participantes desse debate alertam para o fato de que muitos indivíduos podem não estar cientes da real quantidade de ações que possuem, devido a mudanças na certificação e no armazenamento das informações. Companhias como a Computershare, que frequentemente gerenciam ações, podem ter um papel fundamental na materialização dessas propriedades.
A situação se complica ainda mais quando propriedades e ações que não são reclamadas são redistribuídas como bens não reclamados pelo estado. O que muitos não sabem é que é possível reivindicar esses bens diretamente pelo site oficial de propriedades não reclamadas do estado, sem precisar do intermediário. Os acionistas são aconselhados a investigar os registros da Computershare, onde muitos podem encontrar ações que desconhecem. A própria Brighthouse Financial e sua recente fusão com a Aquarian Capital, uma transação de bilhões que visa expandir sua atuação no mercado, acrescenta um nível de complexidade à situação.
Como um comentário sugere, pode haver uma quantidade considerável de bens não reivindicados, que varia conforme as circunstâncias individuais de cada acionista. Um exemplo dado foi o caso de uma avó que, em um momento de incerteza sobre suas posses, quase aceitou uma proposta vantajosa, antes que um familiar identificasse a natureza do seu patrimônio como propriedades não reclamadas. A consulta a bancos de dados estaduais e a instituição de reivindicações é um passo lógico, porém, muitas vezes negligenciado, na recuperação de propriedades ou ações não conhecidas.
Além disso, a burocracia no mundo das finanças não pode ser subestimada. Muitos relatos indicam que o processo de transferência de ações através da Computershare pode ser complicado, exigindo uma variedade de documentação e, em alguns casos, até mesmo a certificação de um notário. Os acionistas estão cada vez mais conscientes de que, embora a venda direta das ações a preços inferiores ofereça uma solução rápida, eles podem estar abrindo mão de sua propriedade valiosa sem um entendimento completo dos riscos.
À medida que a Brighthouse Financial se prepara para a aquisição proposta pela Aquarian Capital — avaliada em mais de 4 bilhões de dólares — a sociedade precisa estar atenta às suas propriedades, garantindo que não deixem para trás um potencial significativo de patrimônio. O cenário coloca em evidência não apenas a necessidade de conscientização sobre heranças e investimentos, mas também sobre como os cidadãos podem se proteger contra certas práticas do mercado financeiro que, embora possam parecer vantajosas, podem resultar em perdas substanciais a longo prazo.
No que diz respeito à prestação de contas e transparência na comunicação das empresas com seus acionistas, é crucial que as companhias como a Brighthouse estabeleçam práticas transparentes que orientem os titulares de ações em direções que não apenas respeitem seus direitos, mas também assegurem que estejam plenamente informados sobre qualquer transação financeira que possa afetar seu patrimônio. À medida que novas questões emergem, a vigilância e a educação sobre as práticas do mercado tornam-se essenciais para proteger os interesses de quem pode, inadvertidamente, se tornar alvo desses métodos questionáveis de aquisição.
Fontes: Folha de São Paulo, Valor Econômico, O Estado de S. Paulo
Detalhes
A Brighthouse Financial é uma companhia de seguros e serviços financeiros que se especializa em produtos de seguro de vida e anuidades. Formada em 2017 após a separação da MetLife, a empresa tem se concentrado em oferecer soluções financeiras e de proteção patrimonial para seus clientes, destacando-se no mercado por sua abordagem inovadora e adaptativa às necessidades dos consumidores.
A Aquarian Capital é uma empresa de investimentos focada em oportunidades no setor financeiro, incluindo aquisições e fusões. Com um portfólio diversificado, a Aquarian busca maximizar o valor para seus investidores por meio de estratégias de investimento bem fundamentadas e uma análise cuidadosa do mercado. A recente fusão com a Brighthouse Financial, avaliada em mais de 4 bilhões de dólares, é um exemplo de sua ambição de expandir sua presença no mercado.
A Computershare é uma empresa global de serviços financeiros que fornece soluções de gestão de ações e serviços relacionados a propriedades não reclamadas. Com uma forte presença no mercado, a Computershare atua como intermediária em transações de ações, oferecendo serviços de registro e administração para empresas e acionistas. A empresa é reconhecida por sua expertise em facilitar a transferência de ações e a gestão de ativos.
Resumo
A Brighthouse Financial, uma companhia de seguros e serviços financeiros, enfrenta um crescente debate sobre a compra de ações não reclamadas de antigos acionistas a preços abaixo do mercado. O caso ganhou destaque após a descoberta de indivíduos que herdaram ações, possivelmente associadas a produtos de seguro de vida da MetLife, que se separou da Brighthouse em 2017. O interesse se intensificou quando um cidadão recebeu uma proposta para vender ações que pertenciam à sua mãe, sem seu conhecimento. Os comentários sobre a situação revelam preocupações éticas, já que as empresas que oferecem a compra podem agir como intermediárias, propondo valores muito inferiores ao mercado. Embora essa prática possa parecer uma solução para a burocracia, os acionistas correm o risco de perder parte significativa de seu patrimônio. A Brighthouse, que recentemente se fundiu com a Aquarian Capital em uma transação de bilhões, destaca a necessidade de conscientização sobre heranças e investimentos. Os acionistas são aconselhados a investigar registros da Computershare para descobrir ações não reclamadas, evitando assim perdas financeiras.
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