Brasil pode evitar 236 mil mortes com imposto sobre ultraprocessados

Estudo aponta que imposto sobre ultraprocessados pode reduzir doenças crônicas, mas gera polêmica sobre impacto nas classes sociais.

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20/02/2026, 22:58

Autor: Laura Mendes

Uma mesa cheia de alimentos ultraprocessados, como refrigerantes, salgadinhos e biscoitos, contrastando com uma refeição saudável feita com legumes frescos, frutas e cereais integrais. Ao fundo, uma balança de pesos, simbolizando os riscos à saúde, sugerindo a necessidade de escolhas mais saudáveis com um toque dramático.

A questão da saúde pública no Brasil, particularmente no que se refere à alimentação, ganhou destaque com a recente proposta de um imposto sobre alimentos ultraprocessados. Um estudo apontou que essa medida pode evitar até 236 mil mortes ao longo de 20 anos, ao mesmo tempo em que gera discussões acaloradas sobre suas implicações econômicas e sociais, especialmente para a população mais vulnerável. A pesquisa destaca que, ao elevar o preço dos produtos ultraprocessados, espera-se uma redução no consumo desses itens nocivos à saúde, que são frequentemente associados a doenças crônicas como diabetes e hipertensão. O aumento de 50% no preço desses produtos, segundo o estudo, poderia resultar em 1,8 milhão de novos casos de doenças crônicas evitados, um resultado que deveria ser de grande interesse para as autoridades de saúde.

No entanto, a proposta enfrenta resistência e críticas de diversos setores. A primeira reação de muitos é a preocupação com a carga tributária adicional, que pode ser um fardo maior para as famílias de baixa renda. Comentários expressaram a opinião de que, em um país onde uma grande parte da população já luta para colocar comida na mesa, aumentar os preços de qualquer alimento, mesmo que prejudicial à saúde, pode acabar por inviabilizar o acesso a refeições minimamente saudáveis. Por exemplo, muitos apontam que a solução para a obesidade e a má alimentação em comunidades carentes não deve se basear apenas na taxação, mas em uma abordagem abrangente que inclua a redução de impostos sobre alimentos saudáveis e o incentivo à agricultura familiar, que muitas vezes oferece alternativas mais nutritivas a preços acessíveis.

A discussão se intensifica ao considerar a situação do agronegócio, que muito contribui para a produção de ingredientes utilizados nos ultraprocessados, como o açúcar e o óleo de soja. Existe uma crítica inflexível que aponta a falta de apoio para tentações alimentares naturais dentro do mercado interno, enquanto o Brasil continua a subsidiar produtos voltados para a exportação. Essa situação levanta a questão: por que o governo prioriza a produção destinada ao exterior em vez de investir em um sistema alimentar que beneficiaria sua própria população? A compreensão dessa complexa rede de interesses e influências é fundamental para qualquer debate sobre políticas de saúde e nutrição no Brasil.

Além disso, medidas que envolvem aumentos de impostos muitas vezes são vistas como soluções fáceis, enquanto outras opções, como incentivos fiscais para produtos saudáveis ou a reforma da agricultura, permanecem negligenciadas. Muitas pessoas defendem a promoção de alternativas saudáveis e acessíveis, ao invés de simplesmente penalizar o consumo com impostos. A elasticidade-preço dos produtos é um conceito frequentemente mencionado, onde, ao elevar os preços, o consumo é esperado a cair, mas isso não resolve a questão do acesso a alimentos nutritivos.

O debate também toca em um aspecto importante da desigualdade de classe e saúde no país: “ser pobre é ter sentença de morte”, é uma frase que ecoa entre aqueles que se sentem alienados por políticas que não contemplam suas necessidades. O aumento dos preços através de impostos sobre ultraprocessados, sem um paralelo esforço para apoiar opções alimentares mais saudáveis e acessíveis, não só acentua a desigualdade social, mas também pode criar um ciclo vicioso de pobreza e doenças que prejudica a qualidade de vida da população.

Assim, o desafio é encontrar uma abordagem equilibrada que, ao mesmo tempo em que combate o consumo de produtos prejudiciais à saúde, assegure que a população tenha acesso a uma alimentação adequada. A questão é envolver efetivamente as comunidades, ouvir suas necessidades e preocupações e criar soluções que vão além da simples taxação. Responsabilizar as indústrias alimentícias e promover uma alimentação mais saudável se torna essencial para a saúde pública, mas é necessário que essa responsabilidade seja compartilhada de maneira justa, garantindo que todos possam ter acesso a uma dieta nutritiva e equilibrada.

Com os riscos à saúde associados ao consumo excessivo de ultraprocessados e a crescente epidemia de doenças relacionadas à dieta no Brasil, a implementação dessa proposta tributária será um tema crucial de discussão nas próximas semanas, à medida em que os legisladores enfrentam a difícil tarefa de equilibrar saúde pública e justiça social. A adesão das comunidades e a participação ativa na fórmula das políticas de alimentação se mostram cada vez mais necessárias para garantir não apenas a saúde, mas a dignidade de todos os brasileiros.

Fontes: Folha de São Paulo, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Organização Mundial da Saúde

Resumo

A proposta de um imposto sobre alimentos ultraprocessados no Brasil tem gerado intensos debates sobre suas implicações na saúde pública e na economia. Um estudo sugere que essa medida pode evitar até 236 mil mortes em 20 anos, reduzindo o consumo de produtos associados a doenças crônicas. No entanto, a iniciativa enfrenta críticas, especialmente de setores que temem que a carga tributária adicional prejudique famílias de baixa renda, dificultando o acesso a alimentos saudáveis. Defensores da proposta argumentam que a taxação deve ser acompanhada de incentivos para alimentos saudáveis e apoio à agricultura familiar. O agronegócio, que fornece ingredientes para ultraprocessados, também é um ponto de discórdia, com críticas à priorização da produção para exportação em detrimento do mercado interno. O debate destaca a necessidade de uma abordagem equilibrada que considere a desigualdade social e a saúde pública, buscando soluções que vão além da simples imposição de impostos.

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