03/05/2026, 18:10
Autor: Laura Mendes

O cenário profissional no Brasil parece estar passando por uma transformação significativa, com a ascensão da psicologia em detrimento da advocacia, como evidenciado por um número crescente de pessoas se formando neste campo. Essa mudança nas preferências de cursos e profissões reflete não apenas o impacto da pandemia, mas também uma nova dinâmica de valorização e procura por saúde mental.
Nos últimos anos, observa-se uma onda de novos profissionais no campo da psicologia. De acordo com diversas análises, a pandemia de COVID-19 trouxe à tona a importância de cuidar da saúde mental, levando muitos a buscar terapias e, consequentemente, cursos de formação na área. A transformação do Brasil em um "país de psicólogos" já é perceptível em residências e comunidades, onde muitas vezes o número de psicólogos ultrapassa o de advogados.
Um ponto notável levantado por alguns profissionais é que a procura por psicólogos aumentou, principalmente no contexto de uma sociedade cada vez mais estressada e consciente da necessidade de cuidados psicológicos. Entretanto, surgem questionamentos sobre a qualidade ética desses novos profissionais. Há temores quanto à proliferação de "psicólogos" que, na verdade, se fazem passar por coaches, oferecendo serviços sem a devida formação ou regulamentação, o que dilui a credibilidade da profissão.
Dentre os comentários analisados, há aqueles que ressaltam o aumento visível de psicólogos em seus círculos sociais. Um usuário mencionou que antes 25% de seus vizinhos eram advogados, e agora esse número foi reduzido a zero, enquanto mais de um terço agora são psicólogos. Essa percepção coletiva sugere que se trata de uma mudança significativa, que pode correlacionar com a redução do prestígio associado à advocacia, uma profissão tradicional, mas que enfrenta desafios em um mercado cada vez mais saturado.
Embora exista uma controvérsia sobre a valorização de ambas as profissões, alguns consideram a psicologia uma "segunda opção" para muitos que, insatisfeitos com suas primeiras escolhas profissionais, acabam buscando uma carreira no auxílio emocional e social. Isso levanta a discussão sobre a formação acadêmica e os critérios de seleção na entrada nesses cursos. Se antes os advogados eram vistos como bem-sucedidos e respeitados, a mudança nas prioridades do jovem profissional médio pode estar fazendo com que a psicologia surja como uma nova promessa de carreira/profissã.
Além disso, o crescimento da psicologia como um campo de estudos atraiu a atenção de muitos que veem no desejo de entender melhor o comportamento humano uma motivação, frequentemente impulsionada por experiências pessoais de terapia. No entanto, essa nova tendência não é isenta de problemas. A saturação do mercado de psicologia e a proliferação de influenciadores que se apresentam como psicólogos, mas na verdade usam do título para fondear a venda de serviços de coaching, são preocupações constantes.
As universidades, por sua vez, estão vendo um aumento na demanda por cursos de psicologia, que atraem um número crescente de estudantes a cada semestre, refletindo uma mudança nas aspirações da nova geração. Dados mostraram que as notas de corte para esses cursos atingem índices elevados de concorrência, sinalizando o desejo de muitos em ingressar nessa profissão.
Diante disso, um questionamento importante que se levanta é como o mercado de trabalho irá se adequar a essa nova realidade. A queda na ostensividade da advocacia, com o declínio de novos advogados em comparação com os psicólogos, pode ser um indicativo de que a dinâmica do mercado está se adaptando a essas novas demandas, que transitam entre a saúde mental e o direito.
Por fim, a reflexão sobre o futuro mostra que muitos em ambas as profissões se debatem com a ideia de que o Brasil pode estar se tornando um país de psicólogos, ao mesmo tempo em que o legado dos advogados se encontra em uma idiossincrasia própria. A balança que antes pesava para a advocacia agora parece estar se equilibrando de forma diferente, numa transformação que poderá moldar novas mentalidades sobre saúde mental e apoio jurídico nas próximas décadas.
Fontes: Folha de São Paulo, IBGE, Sindicato dos Psicólogos, Associação Brasileira de Advogados
Resumo
O Brasil está passando por uma transformação no cenário profissional, com um aumento significativo no número de formados em psicologia em comparação à advocacia. Essa mudança é impulsionada pela pandemia de COVID-19, que destacou a importância da saúde mental e levou muitos a buscar terapias e cursos na área. A percepção de que o país está se tornando um "país de psicólogos" é crescente, com muitos profissionais da psicologia agora superando os advogados em algumas comunidades. No entanto, surgem preocupações sobre a qualidade ética desses novos profissionais, com a proliferação de indivíduos não qualificados que se apresentam como psicólogos. A saturação do mercado e a presença de influenciadores que se autodenominam psicólogos, mas que oferecem serviços de coaching, também são questões relevantes. As universidades estão vendo um aumento na demanda por cursos de psicologia, refletindo as novas aspirações da geração atual. Essa mudança pode indicar uma adaptação do mercado de trabalho às novas demandas por saúde mental, enquanto a advocacia enfrenta desafios em um ambiente cada vez mais competitivo.
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