14/03/2026, 21:45
Autor: Ricardo Vasconcelos

A produtividade da indústria brasileira continua em um cenário preocupante. Embora o país possua um extenso potencial de crescimento econômico, os dados revelam que o setor enfrenta estagnação, levantando questões sobre as estratégias e os investimentos necessários para revitalizar essa área vital da economia. A dúvida sobre o que realmente impede a evolução da produtividade no Brasil parece gerar um consenso: a falta de demanda crescente e a abordagem das instituições de classe empresarial.
Estudos apontam que a produtividade do setor industrial brasileiro não apenas estagnou há décadas, mas também apresenta um desempenho inferior em comparação com outros segmentos da economia, como o setor agrícola. Com bilionários em subsídios direcionados ao setor industrial, a maior parte dos lucros acaba sendo desviada para o rentismo financeiro, afastando os investimentos necessários para inovação e crescimento. O setor primário, por outro lado, tem mostrado um crescimento de produtividade acentuado, em grande parte destinado ao mercado externo.
A discussão sobre a falta de investimento no setor produtivo vem à tona quando se observa que os setores e produtos que valorizam a inovação são frequentemente aqueles que atendem ao mercado internacional. Porém, preocupações em relação à demanda interna não podem ser ignoradas. Essa situação se agrava pela política de juros do Banco Central, o que tem contribuído para uma “demanda de vôo de galinha”, onde investimentos e crescimento são efêmeros e pontuais, ao invés de sustentáveis e contínuos.
Uma das críticas recorrentes é a falta de visão estratégica para a atuação nas exportações e como o Brasil poderia se posicionar melhor no cenário global. Sem o aproveitamento das fortunas acumuladas em décadas de subsídios e incentivos, o potencial do país para incentivar setores que realmente fariam a diferença parece irrealizável. Além disso, a abordagem do governo e das empresas no sentido de simplesmente "reduzir tarifas", buscando elevar a competitividade sem direcionar esforços para a real criação de valor, tem sido amplamente questionada. Um aspecto significativo é a insistência em estratégias temporárias ao invés de medidas estruturais que promoveriam um ambiente mais saudável para o investimento.
Os desafios que o país enfrenta são reconhecidos por economistas, como Paulo Gala, que ressaltam a importância das instituições neste processo. No entanto, a má gestão e a política econômica frágil têm sido barreiras de longa data no caminho para a recuperação da produtividade. Enquanto isso, observa-se um despreparo institucional que acaba dificultando a implementação de mudanças estratégicas, que são necessárias para enfrentar o cenário atual.
Não obstante, a crítica à gestão de poder político e econômico no Brasil não pode ser subestimada. A ideia de que as práticas corruptas estão embutidas dentro do sistema e buscam apenas a manutenção do status quo também é um ponto de grande preocupação. O modelo crescentemente utilizado pelos líderes é o de gerações que se revezam em posições de poder, tornando-se um ciclo vicioso que perpetua a ineficiência.
Outro ponto ressaltado é a importância de investir em capacidades humanas, através de conhecimento técnico e posições que promovam a inovação. Um ambiente em que as empresas podem crescer não diz respeito apenas ao capital financeiro já disponível, mas também à capacidade de adaptação e aprendizado, percebendo focos estratégicos que possam gerar retorno, não apenas econômico, mas também de valor agregado ao mercado.
Os investimentos necessários para transformar o setor produtivo devem ser voltados para a criação de um cenário propício ao crescimento sustentável, que vá além de medidas pontuais e transporte o Brasil para um contexto de competitividade global. Com a criação de políticas dinâmicas e uma visão holística que prioriza o desenvolvimento a longo prazo, o país poderá finalmente reverter esse quadro desolador.
A análise do quadro empresarial e do comportamento do consumidor local sugere que, se o Brasil conseguir desviar seu foco da mera subsistência econômica para uma construção robusta da sociedade com uma economia diversificada e inovadora, poderá assim garantir uma posição respeitável no mercado global. Manter setores de alto crescimento e dar aos trabalhadores as ferramentas para avançar não é apenas uma necessidade, mas um aspecto crítico para assegurar a competitividade.
Em última análise, a mudança requer ações deliberadas e avaliações contínuas, enfocando o potencial para transformar o setor produtivo e reverter a longa estagnação. É esse tipo de discussão que deve caracterizar o empenho dos brasileiros em criar um futuro mais produtivo, competitivo e próspero para as novas gerações.
Fontes: Folha de São Paulo, Estadão, Valor Econômico
Resumo
A produtividade da indústria brasileira continua em um estado preocupante, com estagnação e desempenho inferior em comparação a outros setores, como o agrícola. Apesar de bilionários subsídios, os lucros são frequentemente desviados para o rentismo financeiro, em vez de serem investidos em inovação. A falta de demanda crescente e a abordagem das instituições empresariais são apontadas como fatores que dificultam a evolução do setor. Economistas, como Paulo Gala, destacam a importância de uma gestão mais estratégica e crítica em relação à política econômica, que tem sido marcada por ineficiências e corrupção. Para reverter esse quadro, é necessário investir em capacidades humanas e criar um ambiente que favoreça o crescimento sustentável, focando em políticas dinâmicas que promovam a competitividade global. A transformação do setor produtivo depende de ações deliberadas que priorizem o desenvolvimento a longo prazo, visando um futuro mais produtivo e próspero para as novas gerações.
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