02/02/2026, 00:30
Autor: Laura Mendes

No último domingo, durante a 65ª edição do Grammy, Bad Bunny fez sua estreia como performer no evento e causou uma impressão marcante ao fazer uma declaração contundente sobre identidade e imigração. Ao receber uma ovação de pé após sua performance, o cantor porto-riquenho proferiu a frase: "Nós não somos selvagens. Nós não somos animais. Nós somos americanos", desafiando a narrativa frequentemente negativa sobre os imigrantes. O momento rapidamente se tornou viral, refletindo tanto a relevância social de sua música quanto o impacto cultural que ele exerce.
Com três álbuns de sucesso, Bad Bunny – cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio – tem abordado questões sociais e políticas, especialmente relacionadas a Porto Rico e à diáspora latina. Seus trabalhos mais recentes incluem letras que refletem a luta de seu povo e outros temas relacionados à justiça social. Para muitos de seus fãs, esse aspecto multifacetado de sua arte o transforma em um pilar fundamental para a música latina contemporânea e uma voz potente para a defesa dos direitos dos imigrantes.
Comentários feitos por fãs e críticos após sua apresentação na cerimônia destacam esse dualismo presente na obra de Bad Bunny. Um dos comentaristas ressaltou que ele é "50% artista urbano e 50% político", evidenciando a forma como ele utiliza sua plataforma para discutir questões que afetam sua comunidade, como o turismo em Porto Rico, que, segundo muitos, gravita em torno de sua imagem e influência. O crescimento desse setor econômico, particularmente após as difíceis consequências do furacão Maria em 2017, tem sido visto por muitos como diretamente ligado à sua fama.
Entretanto, a apresentação não deixou de provocar reações polêmicas nas redes sociais, com observações sobre a hostilidade que alguns grupos demonstram ao criticar a presença de artistas latinos em grandes eventos. Outro comentário destacou a expectativa de que muitos gerariam reações repletas de desdém e críticas. Explicações como a de que Bad Bunny "nunca leu a história americana" ou "se acha que a gente não é bicho" indicam uma discrepância nas percepções sobre a igualdade e o respeito que deveria ser dado a todos os americanos, independentemente de sua origem.
Além disso, a presença da imigração na pauta atual dos Estados Unidos adiciona camadas de complexidade a essa conversa. O ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) foi mencionado de maneira sarcástica em relação à possibilidade de que os agentes desse órgão considerem as ações do artista como inflamadas. Esse elemento foi, inclusive, abordado de forma humorística por alguns comentaristas, que imaginaram situações absurdas em que o ICE tentaria se associar à fama do artista.
Apesar da natureza provocativa de sua performance, Bad Bunny se tornou, para muitos, um símbolo de resistência. Sua capacidade de unir música e ativismo mostra não apenas que as fronteiras da arte podem ser desafiadas, mas também que artistas têm um papel vital na formação do discurso público. Para muitos porto-riquenhos e latinos nos Estados Unidos, sua mensagem é um lembrete poderoso de que a luta por direitos e reconhecimento está longe de ser trivial.
O evento também gerou um amplo espectro de discussão sobre o papel da cultura pop em questionar normas raciais e sociais. Bad Bunny, com sua imagem autêntica e seus pronunciamentos, faz parte de um movimento maior entre artistas que buscam romper barreiras e garantir que as vozes de comunidades frequentemente marginalizadas sejam ouvidas. Sua presença no Grammy é mais do que uma simples performance; é um momento de afirmação cultural que ressoa com muitos.
À medida que Bad Bunny continua a desafiar as percepções e a navegar pelo complexo cenário da música pop, sua influência somente tende a crescer. O reconhecimento como artista multifacetado pode indicar que estamos apenas no começo de um longo diálogo sobre identidade, imigração e o que realmente significa ser americano. Assim, a performance no Grammy não apenas trouxe à luz questões urgentes, como também solidificou Bad Bunny como uma figura central no futuro do ativismo musical e cultural. Com sua habilidade única de misturar entretenimento e discurso social, o artista promete manter o foco nas realidades que cercam suas origens e, por extensão, a de muitos outros.
Fontes: The Guardian, Billboard, Variety
Detalhes
Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, é um cantor e compositor porto-riquenho que ganhou destaque na música urbana e reggaeton. Com três álbuns de sucesso, ele aborda questões sociais e políticas, especialmente sobre a cultura latina e a situação em Porto Rico. Sua música é marcada por letras que refletem a luta de seu povo e a defesa dos direitos dos imigrantes, tornando-o uma voz influente na música latina contemporânea.
Resumo
No último domingo, durante a 65ª edição do Grammy, Bad Bunny fez sua estreia como performer e deixou uma marca ao abordar questões de identidade e imigração. Ao receber aplausos de pé, o cantor porto-riquenho declarou: "Nós não somos selvagens. Nós não somos animais. Nós somos americanos", desafiando narrativas negativas sobre imigrantes. Com três álbuns de sucesso, Bad Bunny, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio, tem explorado temas sociais e políticos, especialmente relacionados a Porto Rico e à diáspora latina. Sua apresentação gerou reações mistas nas redes sociais, com críticas à presença de artistas latinos em grandes eventos. Apesar das polêmicas, ele se firmou como um símbolo de resistência, unindo música e ativismo. Bad Bunny representa um movimento maior de artistas que desafiam normas sociais e raciais, e sua performance no Grammy foi um momento de afirmação cultural que ressoa com muitos. À medida que sua influência cresce, ele continua a promover um diálogo sobre identidade e imigração, solidificando seu papel no ativismo musical e cultural.
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