16/01/2026, 19:10
Autor: Ricardo Vasconcelos

Nesta quarta-feira, o governo da Argentina, sob a liderança do presidente Javier Milei, anunciou a designação da Irmandade Muçulmana, incluindo seus ramos egípcios, libaneses e jordanianos, como organizações terroristas. A decisão alinha-se a posicionamentos similares adotados anteriormente pelos Estados Unidos, especificamente durante a administração do ex-presidente Donald Trump, que reconheceu a maior organização pan-islâmica do mundo árabe como um grupo terrorista.
O comunicado do gabinete do presidente Milei destaca que a ação foi fundamentada em “relatórios oficiais que atribuem atividades ilegais através de fronteiras, incluindo atos de terrorismo, convocações públicas ao extremismo violento e vínculos com outras organizações terroristas”. Essa categorização, segundo a Casa Presidencial, promete reforçar os mecanismos preventivos para a detecção e punição de atividades terroristas e seus financiamentos.
A Irmandade Muçulmana, uma organização fundada no Egito em 1928, tem uma presença significativa em várias regiões do mundo árabe e em comunidades muçulmanas além desse escopo. Historicamente, a organização já foi classificada como terrorista em países como o Egito e a Arábia Saudita. Recentemente, a Jordânia também tomou a decisão de bani-la. Com a inclusão da Irmandade Muçulmana na lista de organizações terroristas da Argentina, o governo argentino os registrou no Registro Público de Pessoas e Entidades vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento (RePET), um passo que promete levar a um endurecimento das práticas de segurança nacional.
Milei, no entanto, contextualiza essa decisão dentro de compromissos internacionais de luta contra o terrorismo. A medida vem acompanhada de um esforço coordenado com os Ministérios das Relações Exteriores, da Segurança Nacional e da Justiça e implica uma colaboração internacional mais robusta, incluindo parcerias com nações como Estados Unidos, Israel, Paraguai e os próprios Emirados Árabes Unidos, além do Egito, onde a organização foi criada.
“A decisão mantém nosso compromisso inabalável de reconhecer os terroristas pelo que são, tal como fizemos com o Hamas e o Cartel de los Soles na Venezuela”, ressaltou Milei em um comunicado. Ele argumenta que a Argentina busca um realinhamento à civilização ocidental, enfatizando o respeito aos direitos humanos e às instituições enquanto se opõe frontalmente àqueles que desejam destruí-los.
Nos círculos internacionais, a decisão da Argentina não passou despercebida. Alguns observadores destacam que essa abordagem rigorosa pode potencialmente afetar as relações do país com nações que têm histórico de trabalhar com a Irmandade Muçulmana em diferentes contextos sociais e políticos. Vale observar que em outras partes do mundo, especialmente em comunidades muçulmanas, essa classificação pode resultar em novas divisões e tensões.
Por outro lado, os apoiadores da decisão de Milei argumentam que a segurança nacional deve ser a prioridade, considerando os desafios contemporâneos apresentados por grupos extremistas. A classificação pode ser vista como uma resposta direta a incidentes recentes de violência associada ao extremismo religioso em várias partes do mundo.
A reação à decisão tem sido mista. Enquanto alguns grupos de direitos humanos expressaram preocupações sobre os possíveis impactos dessa classificação sobre a liberdade religiosa e os direitos dos muçulmanos, muitos cidadãos argentinos apoiam uma postura firme contra o terrorismo, principalmente em um contexto geopolítico que se tornou cada vez mais volátil com o aumento das tensões entre nações ocidentais e grupos militantes.
Essa nova abordagem da política externa e da segurança interna da Argentina reflete não apenas as mudanças no governo sob Milei, mas também um movimento mais amplo em várias nações em direção a uma linha dura em relação ao extremismo. As implicações de tal decisão podem se estender ao longo do tempo, influenciando não apenas a dinâmica de segurança da Argentina, mas também suas relações internacionais e o tratamento às comunidades muçulmanas dentro de suas fronteiras.
Com essa nova estratégia de segurança e política externa, a Argentina parece estar não apenas reafirmando seu compromisso na luta contra o terrorismo, mas também desenhando um novo perfil no cenário internacional. As reações e desenvolvimentos nos próximos meses serão cruciais para entender se essa abordagem se traduzirá em segurança aprimorada ou se gerará mais controvérsias e complicações nas relações regionais e internacionais. As próximas semanas serão um momento de observação atento para ver como essa decisão impactará tanto a política interna quanto as interações da Argentina no exterior.
Fontes: BBC News, El Clarín, Reuters, Infobae
Detalhes
Javier Milei é um economista e político argentino, conhecido por suas posições liberais e sua crítica ao intervencionismo estatal. Ele se tornou presidente da Argentina em 2023, prometendo reformas econômicas radicais e uma abordagem mais rigorosa em questões de segurança, especialmente no combate ao terrorismo. Milei é uma figura polêmica, atraindo tanto apoiadores fervorosos quanto opositores.
A Irmandade Muçulmana é uma organização islâmica fundada no Egito em 1928, com o objetivo de promover valores islâmicos e sociais. A organização tem uma presença significativa em várias regiões do mundo árabe e, ao longo da história, foi classificada como terrorista em países como Egito e Arábia Saudita. A Irmandade é frequentemente associada a movimentos políticos e sociais que buscam a implementação da lei islâmica.
Resumo
Nesta quarta-feira, o governo argentino, liderado pelo presidente Javier Milei, designou a Irmandade Muçulmana e seus ramos egípios, libaneses e jordanianos como organizações terroristas. Essa decisão alinha-se a ações semelhantes dos Estados Unidos durante a administração de Donald Trump. O governo argentino justificou a medida com base em relatórios que indicam atividades ilegais, incluindo terrorismo e extremismo violento. A inclusão da Irmandade Muçulmana no Registro Público de Pessoas e Entidades vinculadas a Atos de Terrorismo e seu Financiamento (RePET) visa fortalecer a segurança nacional. Milei argumenta que essa ação é parte de um compromisso internacional contra o terrorismo, promovendo colaborações com países como Estados Unidos e Israel. A decisão gerou reações mistas, com preocupações de grupos de direitos humanos sobre a liberdade religiosa, enquanto muitos cidadãos apoiam uma postura firme contra o terrorismo. Essa nova estratégia reflete mudanças na política externa da Argentina e poderá impactar suas relações internacionais e a dinâmica de segurança no país.
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