04/01/2026, 19:53
Autor: Laura Mendes

O aumento dos preços nos aplicativos de entrega de comida tem gerado um debate intenso sobre o impacto que essa prática tem tanto em consumidores quanto em restaurantes. O cenário se tornou ainda mais evidente no contexto de 2024, quando a DoorDash, um dos principais serviços de entrega, anunciou receitas globais de 10,72 bilhões de dólares, com um lucro líquido de apenas 117 milhões de dólares, resultando em uma margem de lucro de apenas 1,1%. Essa realidade retrata um mercado em que o lucro por pedido é escasso, com uma média de apenas 5 centavos por transação, levando muitos a questionarem se o valor cobrado pelas entregas é realmente justificado.
A situação atual representa um reflexo complicado das pressões econômicas enfrentadas por diversas partes interessadas. Muitos consumidores afirmam que o preço das refeições disponíveis nos aplicativos supera em muito o custo real nos restaurantes. Uma prática comum observada é o aumento significativo nos preços do menu nos aplicativos, que tem como objetivo atenuar o choque ao consumidor ao visualizar o custo total da entrega. Essa estratégia tem sido criticada por muitos, que veem nela uma tentativa de mascarar a realidade dos custos envolvidos na entrega de comida.
Além disso, a relação entre os restaurantes e os serviços de entrega se tornou mais complexa. Os restaurantes, por um lado, reconhecem a importância da presença em plataformas como Uber Eats e DoorDash, considerando-as vitais para alcançar clientes que, de outra forma, poderiam nunca ter descoberto o negócio. Porém, o dilema persiste: muitos desses estabelecimentos preferiam que os clientes realizassem pedidos diretamente, evitando as taxas que os aplicativos cobram.
Portanto, é compreensível que muitos restaurantes optem por aumentar os preços dos itens para compensar essas taxas, o que muitas vezes resulta em preços que são o dobro do valor original. Assim, apesar de a entrega ter se tornado uma conveniência durante a pandemia, essa transição nos hábitos de consumo também gerou situações delicadas para os restaurantes, que devem equilibrar seus custos e a satisfação do cliente.
A COVID-19 funcionou como um catalisador para a mudança nos hábitos de consumo. Antes da pandemia, muitos restaurantes não precisavam oferecer serviços de entrega e ainda assim mantinham a viabilidade financeira. No entanto, a necessidade de se adaptar ao novo normal fez com que, mesmo os mais hesitantes, adotassem serviços de entrega. Isso acarretou uma nova realidade em que os serviços de entrega podiam, em muitos casos, cobrar valores altíssimos, pois a alternativa para os restaurantes frequentemente era fechar as portas.
Essas mudanças fizeram com que muitos consumidores começassem a questionar e comparar os custos. Relatos surgem indicando que, em várias ocasiões, adquirir alimentos diretamente nos estabelecimentos é significamente mais barato. Um consumidor compartilhou que em suas últimas quatro encomendas, observou que a aquisição direta de pratos específicos em restaurantes locais era pelo menos 20 dólares mais barata do que através dos aplicativos, gerando uma frustração crescente quando análises mais profundas são realizadas.
Assim, o aumento consistente das taxas e preços nos aplicativos levanta questões sobre o futuro dos serviços de entrega e a sustentabilidade dessa economia. Se os consumidores começarem a se afastar dos aplicativos em busca de opções mais econômicas, os próprios serviços de entrega poderão enfrentar uma crise novamente, uma vez que a dependência dos restaurantes por visibilidade pode não ser suficiente para justificar as altas taxas.
Portanto, à medida que as discussões sobre a equidade de preços nos aplicativos aumentam, tanto consumidores quanto restaurantes precisam encontrar um equilíbrio que permita que a conveniência da entrega permaneça viável sem sacrificar a acessibilidade da comida. O cenário ainda está em desenvolvimento, mas os efeitos da pandemia provavelmente continuarão a influenciar a dinâmica entre consumo, entrega e preços nos próximos anos.
Fontes: Folha de São Paulo, Valor Econômico, Exame
Detalhes
A DoorDash é uma das principais plataformas de entrega de alimentos nos Estados Unidos, permitindo que consumidores solicitem refeições de restaurantes locais através de um aplicativo. Fundada em 2013, a empresa cresceu rapidamente, especialmente durante a pandemia de COVID-19, quando a demanda por serviços de entrega aumentou. A DoorDash é conhecida por sua extensa rede de parceiros e pela conveniência que oferece aos usuários, embora enfrente críticas sobre suas taxas e o impacto nos preços dos alimentos.
Resumo
O aumento dos preços nos aplicativos de entrega de comida gerou um intenso debate sobre seu impacto em consumidores e restaurantes. Em 2024, a DoorDash reportou receitas globais de 10,72 bilhões de dólares, mas com um lucro líquido de apenas 117 milhões, refletindo um mercado onde o lucro por pedido é escasso. Muitos consumidores percebem que os preços nas plataformas superam os custos reais nos restaurantes, levando a críticas sobre a prática de aumentar os preços dos menus nos aplicativos para suavizar o choque do custo total. Os restaurantes reconhecem a importância de estarem presentes em plataformas como Uber Eats e DoorDash, mas preferem que os clientes façam pedidos diretos para evitar taxas. Isso resulta em preços que podem ser o dobro do valor original. A pandemia acelerou a adoção de serviços de entrega, mas também trouxe à tona a questão dos altos custos. Consumidores relatam que comprar diretamente nos estabelecimentos é significativamente mais barato. O aumento das taxas levanta preocupações sobre a sustentabilidade dos serviços de entrega, e tanto consumidores quanto restaurantes precisam encontrar um equilíbrio para manter a viabilidade da entrega sem sacrificar a acessibilidade.
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