17/02/2026, 18:59
Autor: Ricardo Vasconcelos

Recentemente, o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, trouxe à tona uma realidade alarmante: a Alemanha está sem mísseis suficientes para suas demandas de defesa e, ao mesmo tempo, não consegue cumprir os pedidos da Ucrânia, que luta sob uma agressão russa contínua. Com os estoques de mísseis praticamente esgotados, a situação levanta preocupações sobre a preparação e a capacidade da Alemanha e da Europa para enfrentar uma potencial escalada militar e a necessidade urgente de reavaliação das estratégias de defesa.
A guerra na Ucrânia tem colocado à prova a capacidade de defesa dos países ocidentais, revelando fragilidades na logística de armamentos e na produção militar que muitos governos preferiram ignorar em tempos de paz. A resposta do Ocidente à invasão russa demonstrou não apenas a prontidão dos países para agir, mas também expôs um atraso significativo na produção de mísseis de defesa aérea de que a Ucrânia tanto precisa. O combate constante e a necessidade de fornecer equipamentos às forças ucranianas tornaram a situação ainda mais crítica, ressaltando a falta de visão a longo prazo nas políticas de segurança da Europa.
Os comentários sobre a situação da produção de mísseis na Alemanha indicam que a produção e o fornecimento não seguem o ritmo da guerra. Audiências com especialistas do setor da defesa e representantes industriais refletem que a produção dos novos mísseis, como o Patriot, requer planejamento prévio e um tempo significativo para serem disponibilizados. Isso se agrava ainda mais pelo fato de que, ao serem feitos por encomenda, novos contratos só podem ser atendidos após a conclusão dos pedidos anteriores, deixando a Alemanha em uma posição vulnerável.
Além disso, a crítica à terceirização na produção de armas e mísseis se intensifica, com muitas vozes na Alemanha se perguntando por que o país não consegue produzir internamente o suficiente para atender tanto a sua própria demanda quanto a da Ucrânia. A dependência de fornecedores estrangeiros e a falta de um robusto sistema de manufatura leve a uma necessidade premente de reavaliar a capacidade da indústria de defesa europeia, algo que os analistas estavam alertando há anos. A globalização, mais uma vez, é questionada em tempos de crise, trazendo à tona a discussão sobre a segurança e a autossuficiência estratégica dos países europeus.
Embora a Alemanha tenha feito progressos na fabricação de munições convencionais, como os projéteis de 155 mm, a produção de mísseis de defesa aérea, que requerem tecnologia mais avançada e investimentos mais substanciais, não acompanhou a necessidade. Comentários ressaltam que, sem um aumento decisivo no investimento em infraestrutura e em linhas de produção para mísseis, a Alemanha poderá continuar a enfrentar situações desesperadoras em futuras escaladas de conflito.
As repercussões do insuficiente estoque de armamentos não afetam apenas a capacidade defensiva da Alemanha, mas também as relações com seus aliados da OTAN. Observadores internacionais notam que a atual política de defesa da Europa parecia se basear em um plano de contingência que supunha que a intervenção americana estaria sempre disponível. Contudo, as recentes mudanças na política externa dos EUA questionam se essa suposição ainda se sustenta, ou se as nações europeias precisarão assumir uma responsabilidade maior e mais independente em seus próprios esforços de defesa.
O tempo necessário para a produção e entrega de novos mísseis é um fator limitante crítico. À medida que os conflitos se intensificam, o risco de que a falta de armamentos possa levar a perdas humanas inaceitáveis aumenta drasticamente. A análise sugere que a guerra na Ucrânia é um catalisador para revisões necessárias que devem ser realizadas na abordagem de defesa da Europa, tanto interna quanto externamente.
E agora, com a nova consciência sobre a importância de uma indústria de defesa robusta e pronta para responder a crises, a Alemanha e seus aliados precisam agir rapidamente. As experiências atuais devem gerenciar não só a construção de estoques, mas a revitalização da indústria nacional, com a compreensão de que a segurança não pode ser apenas um pensamento secundário. O futuro da segurança europeia depende de uma rápida adaptação a essas lições aprendidas com a escassez atual.
Fontes: Folha de São Paulo, Deutsche Welle, The Guardian
Detalhes
Annalena Baerbock é uma política alemã e membro do partido Os Verdes. Desde dezembro de 2021, ela ocupa o cargo de Ministra das Relações Exteriores da Alemanha, sendo a primeira mulher a assumir essa posição. Baerbock é conhecida por seu ativismo em questões ambientais e direitos humanos, além de sua postura firme em relação à política externa da Alemanha, especialmente em contextos de crise, como a guerra na Ucrânia.
Resumo
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, alertou que o país enfrenta uma grave escassez de mísseis, incapaz de atender suas próprias necessidades de defesa e os pedidos da Ucrânia, que luta contra a agressão russa. A guerra na Ucrânia expôs fragilidades na logística de armamentos e na produção militar dos países ocidentais, revelando um atraso significativo na fabricação de mísseis de defesa aérea. A produção atual não acompanha a demanda crescente, e a dependência de fornecedores estrangeiros levanta questões sobre a capacidade da indústria de defesa europeia. Embora a Alemanha tenha avançado na fabricação de munições convencionais, a produção de mísseis requer investimentos substanciais e tecnologia avançada. A insuficiência de armamentos não apenas compromete a defesa da Alemanha, mas também afeta suas relações com aliados da OTAN, que podem precisar assumir mais responsabilidades de defesa. A guerra na Ucrânia serve como um catalisador para a reavaliação da abordagem de defesa da Europa, destacando a necessidade urgente de fortalecer a indústria de defesa e garantir a segurança europeia.
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