08/01/2026, 12:32
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em uma declaração impactante durante um simpósio na Alemanha, o presidente Frank-Walter Steinmeier criticou abertamente a política externa dos Estados Unidos, afirmando que a administração do ex-presidente Donald Trump está destruindo a ordem mundial estabelecida. No evento, realizado no dia 7 de outubro, Steinmeier alertou sobre o risco de o mundo se transformar em um "covil de ladrões", onde as potências poderosas dominam totalmente os interesses globais, sem considerar o bem-estar das nações menores.
A fala de Steinmeier foi particularmente provocadora, vindo em um momento de grande tensão geopolítica, com a recente deposição do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças militares americanas e o crescente desentendimento entre os EUA e a Europa sobre questões territoriais envolvendo a Groenlândia. Durante sua palestra, ele enfatizou que essa era uma época crítica na qual a democracia e os valores fundamentais estão sob ameaça como nunca antes na história recente. O presidente alemão afirmou que é essencial impedir que os fundamentos da ordem internacional se desintegrem.
Steinmeier destacou que a situação exige uma "intervenção internacional ativa em situações de ameaça" e ressaltou o papel crucial que países como Brasil e Índia desempenham nesse cenário. O presidente não hesitou em afirmar que as nações emergentes precisam ser convencidas de que são parte integrante da solução para a instabilidade global. "Países como Brasil e Índia devem proteger a ordem mundial", afirmou, pedindo uma responsabilização coletiva e um esforço conjunto para restaurar valores democráticos.
Esse chamado à ação não passou despercebido e gerou reações diversas entre observadores políticos. Durante os debates em torno do discurso, vários comentaristas expressaram preocupações sobre a postura que o Brasil deve adotar diante de pressões externas. Um dos comentários críticos apontou que o pronuncamento de Steinmeier poderia ser visto como uma maneira sutil de demandar uma postura mais anti-Rússia por parte do Brasil, sugerindo que a OTAN está insatisfeita com a neutralidade de nações como Brasil e Índia em relação ao conflito na Ucrânia.
Por outro lado, muitos reconheceram o histórico pacífico do Brasil em suas relações internacionais, sublinhando sua reputação como um país conciliador que busca soluções pacíficas e construtivas. O Brasil tem se posicionado como uma nação que não se envolve em conflitos armados e que privilegia o diálogo em suas relações externas. Este ethos é considerado uma vantagem em um mundo repleto de tensões geopolíticas, e essa imagem é um ativo valioso que o país deve continuar a cultivar.
Entretanto, uma análise mais cética sugeriu que a posição de Steinmeier poderia ser interpretada como transferência de responsabilidade, jogando o peso da estabilidade mundial sobre as costas de países em desenvolvimento como Brasil e Índia. Essa crítica levanta um ponto importante sobre as expectativas que potências tradicionais têm sobre as nações emergentes, muitas vezes esperando que elas contribuam para a estabilização da ordem mundial enquanto lidam com suas próprias questões socioeconômicas.
No contexto interno, essa discussão também faz eco em um momento em que o Brasil enfrenta desafios políticos e sociais, condicionando sua capacidade de influenciar as decisões globais. A consciência da importância de escolher líderes que reflitam essas prioridades está mais alinhada do que nunca, ressaltando o papel do eleitor na definição do futuro político do país.
Assim, a fala do presidente Steinmeier é um apelo claro não só à ação, mas à reflexão sobre o papel que o Brasil pode e deve desempenhar em uma arquitetura internacional em transformação. A ideia de que o Brasil é um "anão diplomático" é desafiada por muitos que acreditam que a diplomacia brasileira, guiada pelo pacifismo e pela busca contínua por diálogo, tem muito a oferecer em termos de cooperação e estabilidade global.
Neste sentido, a liderança brasileira será crucial na configuração de uma nova ordem mundial mais justa e igualitária. Conflitos geopolíticos exigem soluções criativas e flexíveis, e o papel conciliador do Brasil pode ser uma chave para desbloquear novas soluções em um cenário global cada vez mais complexo. Afinal, enquanto potências tradicionais como os Estados Unidos buscarão afirmar sua hegemonia, países emergentes terão a oportunidade de redefinir seu papel e sua influência na construção de um futuro mais pacífico e integrado.
Fontes: Folha de São Paulo, O Globo, Estadão
Detalhes
Frank-Walter Steinmeier é um político alemão, membro do Partido Social-Democrata (SPD), e atua como presidente da Alemanha desde 2017. Anteriormente, ele foi ministro das Relações Exteriores e vice-chanceler. Steinmeier é conhecido por seu compromisso com a diplomacia e a cooperação internacional, frequentemente abordando questões de segurança global e direitos humanos em suas declarações.
Resumo
Durante um simpósio na Alemanha, o presidente Frank-Walter Steinmeier criticou a política externa dos Estados Unidos sob a administração do ex-presidente Donald Trump, alertando que isso está destruindo a ordem mundial. Steinmeier destacou o risco de o mundo se tornar um "covil de ladrões", onde potências dominam sem considerar as nações menores. Ele enfatizou a necessidade de uma intervenção internacional ativa e a importância de países emergentes como Brasil e Índia na restauração da ordem global. O discurso gerou reações variadas, com alguns comentaristas sugerindo que poderia pressionar o Brasil a adotar uma postura mais anti-Rússia. Apesar das críticas, muitos reconhecem o Brasil como um país conciliador, que busca soluções pacíficas. No entanto, a posição de Steinmeier também foi vista como uma transferência de responsabilidade para nações em desenvolvimento, levantando questões sobre as expectativas de potências tradicionais. O Brasil enfrenta desafios internos que condicionam sua influência global, e a fala de Steinmeier serve como um apelo à reflexão sobre o papel que o país deve desempenhar em um mundo em transformação.
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