17/02/2026, 19:42
Autor: Ricardo Vasconcelos

No último dia, a tensão geopolítica na Europa Oriental voltou a ser evidenciada, com preocupações crescentes sobre possíveis manobras militares da Rússia voltadas à Lituânia. A posição estratégica da Lituânia, membro pleno da OTAN, eleva o risco de um conflito em larga escala na região, uma vez que um ataque à nação báltica não apenas reverteria rapidamente as conquistas democráticas do país, mas também poderia acionar o Artigo 5 da OTAN, que defende a inviolabilidade de seus membros.
Especialistas em segurança e analistas políticos sugerem que, apesar de a Lituânia ter garantias substanciais de defesa pelo tratado da OTAN, a Rússia poderia lançar uma campanha desestabilizadora em áreas vizinhas, semelhantes àquelas vistas recentemente na Ucrânia. Tal abordagem não seria um ataque convencional, mas sim táticas de desestabilização, que poderiam facilitar uma invasão que, se não contida, poderia provocar uma série de reações em cadeia entre os países aliados.
Sviatlana Tsikhanouskaya, uma voz influente do movimento democrático bielorrusso, trouxe à atenção um aspecto perturbador da estratégia de Putin. De acordo com Tsikhanouskaya, o regime bielorrusso e russo tem promovido uma antiga e obscura teoria da conspiração questionando as raízes da nacionalidade lituana, uma narrativa que poderia fornecer uma justificativa espúria para um ataque militar. Segundo ela, esta teoria, que sugere que partes da Lituânia pertenciam historicamente à Bielorrússia, foi ressuscitada artificalmente a fim de semear divisões e inseguranças entre os lituanos.
A Lituânia, que já possui experiências de história marcada por invasões e domínios estrangeiros, torna-se um alvo natural na mente estratégica de Putin, uma vez que sua localização geográfica também é fundamental para garantir o enclave russo de Kaliningrado. Um ataque à Lituânia poderia ser visto como um movimento para consolidar o controle russo na região, aumentando o ermo estratégico da Bielorrússia e desmantelando os esforços de unidade europeia em segurança e defesa.
Outro fator preocupante é que a guerra na Ucrânia revelou muitas vulnerabilidades nas forças de defesa das nações bálticas, o que poderia torná-las alvos mais fáceis em uma campanha rápida de tomada de território. A situação econômica da Rússia, por sua vez, parece estar colhendo benefícios da guerra, permitindo que Moscou invista em modernização militar, enquanto muitos países da região se veem sem o treinamento necessário para contrabalançar essas novas táticas de guerra.
A OTAN, por meio de seus líderes, reiterou sua postura defensiva e enfatizou a importância do comprometimento dos membros para proteger a integridade do bloco. O clima de incerteza, no entanto, continua a pairar sobre a região, especialmente considerando as discordâncias na resposta ocidental a ações provocativas anteriores da Rússia. Os esforços da Lituânia para potencializar suas próprias capacidades de defesa e suas alianças com nações ocidentais são vitais, mas a história recente demonstrou que ações rápidas às vezes são necessárias em face da invasão.
Conforme a situação evolui, muitos questionam a lógica das incursões que poderiam alterar radicalmente o equilíbrio de poder na Europa. Histórico e personalidades dos líderes envolvidos em decisões vitais na geopolítica global podem muitas vezes desviar a prudência estratégica, levando a cenários que, embora à primeira vista absurdos, se tornam cada vez mais plausíveis em um ambiente internacional volátil.
Assim, enquanto a Lituânia observa atentamente os movimentos russos e trabalha para reforçar suas defesas e alianças, a comunidade internacional se vê diante de um dilema: como responder de forma convincente a um dos maiores desafios à segurança europeia em décadas. A necessidade de um diálogo robusto e de ações firmes em resposta a qualquer provocação se torna cada vez mais crucial numa época em que a segurança do continente pode estar em jogo.
Fontes: The Guardian, BBC News, Al Jazeera, Reuters
Detalhes
Sviatlana Tsikhanouskaya é uma política bielorrussa e líder do movimento democrático na Bielorrússia. Ela ganhou destaque internacional após a contestação das eleições presidenciais de 2020, que resultaram em protestos em massa contra o regime de Alexander Lukashenko. Tsikhanouskaya tem sido uma voz proeminente na luta por democracia e direitos humanos em seu país, buscando apoio internacional para a causa bielorrussa e denunciando a repressão do governo. Ela atualmente reside fora da Bielorrússia devido à perseguição política.
Resumo
A tensão geopolítica na Europa Oriental aumentou, com preocupações sobre manobras militares da Rússia em relação à Lituânia, membro da OTAN. Um ataque à Lituânia poderia acionar o Artigo 5 da OTAN, que garante a defesa mútua entre os aliados. Especialistas alertam que a Rússia pode adotar táticas de desestabilização em áreas vizinhas, similar ao que ocorreu na Ucrânia, o que poderia facilitar uma invasão. Sviatlana Tsikhanouskaya, do movimento democrático bielorrusso, destacou uma teoria da conspiração promovida pelo regime bielorrusso e russo, questionando a nacionalidade lituana como uma possível justificativa para um ataque. A localização estratégica da Lituânia, próxima ao enclave russo de Kaliningrado, torna-a um alvo na visão de Putin. A guerra na Ucrânia expôs vulnerabilidades nas forças de defesa das nações bálticas, enquanto a Rússia moderniza suas forças armadas. A OTAN reafirma seu compromisso defensivo, mas a incerteza persiste na região, com a Lituânia buscando fortalecer suas defesas e alianças para enfrentar os desafios à segurança europeia.
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