10/01/2026, 15:23
Autor: Ricardo Vasconcelos

Em uma série de eventos alarmantes, a atuação da Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) em Minneapolis gerou descontentamento e revolta entre os moradores locais. Relatos apontam para ações dos agentes que têm sido percebidas como agressivas e desproporcionais, levantando questões sobre segurança pública e o comportamento do governo federal sob a atual administração, que já enfrentou críticas severas ao longo de seu mandato.
Testemunhas afirmam que a ICE tem agido como se estivesse em uma missão antagonista, provocando e intimidando residentes sem justificativa aparente. Muitos moradores relatam que, mesmo em áreas habitualmente tranquilas, a presença dos agentes se tornou comum, mas com um foco claramente direcionado para a criação de um clima de medo e desconfiança. Os relatos incluem descrições de operações que parecem desestruturadas e que, ao contrário de promoverem a segurança, resultam em mais conflitos e descontentamento na comunidade.
Uma testemunha, que preferiu permanecer anônima, desabafou sobre a situação, afirmando que a presença da ICE não é bem-vinda. "Esses agentes estão apenas aqui para irritar os moradores o máximo possível. Não conheço um único minnesotano que esteja tranquilo com isso. O único crime acontecendo aqui é ação policial", afirmou. Entre as queixas, também há relatos de problemas de segurança no trânsito, com agentes causando engarrafamentos devido à sua inexperiência em dirigir sob condições de neve e gelo.
A tensão aumentou após um incidente que envolveu um veículo da ICE colidindo com um carro de uma cidadã local. As alegações sobre a gestão por parte do Departamento de Segurança Interna (DHS) em relação ao ocorrido, incluindo a destruição de provas, só aumentaram as suspeitas. De acordo com fontes, o DHS teria ordenado que danos materiais ficassem encobertos, levantando um espectro de encobrimento de crimes e falta de responsabilidade. Comentários indignados de moradores revelam um crescente sentimento de que estão vivendo sob um regime onde a luta pela justiça é cada vez mais necessária e onde o governo não pode ser considerado um defensor de seus cidadãos.
Ainda mais preocupante é a percepção de que essa situação está se transformando em um padrão de combate para a administração atual. Uma parte da comunidade acredita que a agressão desmedida por parte das autoridades representa um modelo de controle e intimidação, semelhante ao que é observado em regimes autoritários. "O regime de Maduro é menos um inimigo e mais um modelo para Trump, que parece se inspirar em táticas de assassinato político", observou um comentarista.
O descontentamento se intensifica na medida em que o estigma e a polarização entre comunidades se agravem. Os moradores expressam cada vez mais que eles mesmos têm que se proteger do governo. "Se não podemos confiar no governo para nos proteger, precisamos cuidar de nós mesmos", advertiu um morador, ecoando um sentimento de frustração crescente sobre a proteção social que o governo deveria oferecer.
Por outro lado, a resposta da administração têm sido evitativa, e em algumas ocasiões, disparando ainda mais o fenômeno da desconfiança entre os habitantes. A escolha de vazar informações equivocas, como a interação com uma mulher branca cujo vídeo foi distribuído exacerbando a narrativa de que ela representava uma ameaça, reforça a crença de que o governo não está apenas manipulando a situação, mas também mostrando o quanto está disposto a ir para manter seu controle e narrativa.
Enquanto isso, o clima em Minneapolis continua tenso, com um crescimento nas tensões sociais e um fortalecimento dos laços comunitários entre aqueles que se opõem a essas medidas. A ação da ICE e a forma como tem sido conduzida não só repercutem na cidade, mas também podem servir como um espelho do que está acontecendo em diversas comunidades em todo o país, onde abusos de poder por parte de autoridades têm sido uma questão contínua de preocupação e resistência.
Fontes: New York Times, Washington Post, The Guardian
Detalhes
A Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) é uma agência do governo dos Estados Unidos responsável pela aplicação das leis de imigração e aduaneiras. Criada em 2003, após a criação do Departamento de Segurança Interna, a ICE tem enfrentado críticas por suas práticas de detenção e deportação, especialmente em relação a comunidades imigrantes. A agência é frequentemente associada a polêmicas sobre o uso excessivo de força e violações dos direitos humanos.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) é uma agência do governo dos Estados Unidos, criada em 2003, com o objetivo de proteger o país contra ameaças internas e externas. O DHS coordena diversas agências, incluindo a ICE e a Guarda Costeira, e é responsável por questões de segurança nacional, imigração e resposta a desastres. O departamento tem sido criticado por sua abordagem em relação à imigração e pela forma como lida com a segurança pública.
Resumo
A atuação da Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) em Minneapolis gerou descontentamento entre os moradores, que percebem as ações dos agentes como agressivas e desproporcionais. Testemunhas relatam que a presença da ICE, mesmo em áreas tranquilas, tem criado um clima de medo e desconfiança, com operações que resultam em mais conflitos na comunidade. Um incidente envolvendo um veículo da ICE e um carro local aumentou a tensão, com alegações de encobrimento de provas por parte do Departamento de Segurança Interna (DHS). A situação é vista como um padrão de controle e intimidação, levando os moradores a se sentirem inseguros em relação ao governo, que deveria protegê-los. As respostas da administração têm sido evasivas, exacerbando a desconfiança. O clima em Minneapolis continua tenso, refletindo uma preocupação mais ampla sobre abusos de poder em diversas comunidades do país.
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