08/01/2026, 00:21
Autor: Laura Mendes

Em uma reviravolta significativa que destaca o crescente ativismo em torno dos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos, a companhia aérea Avelo anunciou o encerramento de seus contratos com o Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE). A decisão vem em resposta a um intenso movimento de protesto de grupos de defesa de imigrantes e à crescente pressão pública contra as deportações realizadas pela companhia. O presidente e CEO da Avelo, Andrew Levy, confirmou a decisão em um e-mail enviado aos funcionários, alegando que o envolvimento da companhia com o programa do governo a havia colocado no centro de uma "controvérsia política".
A Avelo, que anteriormente operava como Casino Express e Xtra Airways, é relativamente nova no mercado de aviação comercial, mas rapidamente se tornou um foco de críticas por suas práticas de voos regulares de deportação. Antes do encerramento dos laços com o ICE, a companhia aérea era reconhecida como uma das principais envolvidas nas deportações de imigrantes, realizando voos semanais do Aeroporto Mesa Gateway, no Arizona. No entanto, a pressão de grupos comunitários e ativistas chegou a um ponto insustentável, culminando em protestos em várias cidades onde a Avelo tem operações, como Wilmington, Carolina do Norte, Nashville, Tennessee, e New Haven, Connecticut.
Grupos de defesa de imigrantes notaram que muitos dos afetados pelos voos de deportação são amigos, familiares e vizinhos de seus membros. Anne Watkins, organizadora da New Haven Immigrants Coalition, expressou seu desagrado dizendo: "Não queremos que uma empresa que está lucrando diretamente com essas atividades esteja aqui em New Haven". Essa resistência popular foi acompanhada de iniciativas criativas, como a ferramenta desenvolvida pelo grupo Gen-Z for Change, que incentivava os usuários a sobrecarregar a Avelo com candidaturas fictícias em resposta a suas vagas para os voos de deportação, demonstrando o nível de envolvimento e comprometimento da comunidade.
A decisão da Avelo se dá em meio a um clima político tenso, onde as políticas de imigração e os direitos humanos estão sob intensa escrutínio. Ao longo do último ano, os protestos não apenas chamaram a atenção para as práticas da empresa, mas também para o impacto humano das deportações. Seth Miller, jornalista de aviação independente e legislador estadual de New Hampshire, comentou sobre a decisão da Avelo, afirmando que "essa mudança não acabará com as deportações, mas é bom ver uma empresa saindo do negócio e pagando um preço por sua participação ao longo do caminho".
Além das protestações nas ruas, a decisão também foi bem recebida pelo sindicato que representa os comissários de bordo da Avelo. Em comunicado, a Association of Flight Attendants-CWA fez ecoar o descontentamento com certas operações que não foram originalmente aceitadas ou desejadas por seus membros. Este apoio dos funcionários é significativo, pois ilustra não apenas a luta contra práticas que contrariam os valores humanos básicos, mas também a desilusão interna sobre as direções estratégicas da companhia.
O fechamento da base da Avelo no Aeroporto Mesa Gateway representa um pequeno, porém encorajador, passo na luta contínua por direitos dos imigrantes e contra a descentralização de suas vidas através de deportações em massa. À medida que a empresa abre mão desse aspecto controverso de seu modelo de negócios, a esperança é que isso sirva como um momento de reflexão para outras companhias aéreas, que talvez ainda não tenham considerado as repercussões de se envolverem em políticas tão polarizadoras.
O cenário da aviação e das políticas de imigração nos Estados Unidos permanece complexo e volátil, mas o encerramento do relacionamento da Avelo com o ICE certamente representa um pico de esperança para aqueles que apoiam a implementação de práticas mais justas e humanas no tratamento dos imigrantes. A luta contínua pode também inspirar maior resistência e engajamento da sociedade, sinalizando que as vozes do povo, unidas, podem fazer a diferença e provocar mudanças reais em políticas que afetam vidas.
Fontes: Axios, Yale Daily News, AP News
Detalhes
A Avelo Airlines é uma companhia aérea americana relativamente nova, fundada em 2021. Anteriormente conhecida como Casino Express e Xtra Airways, a Avelo se destacou no mercado de aviação comercial com uma abordagem de baixo custo. A empresa enfrentou críticas por sua participação em voos de deportação, levando a um crescente ativismo em torno dos direitos dos imigrantes e à recente decisão de encerrar contratos com o ICE.
Resumo
A companhia aérea Avelo anunciou o encerramento de seus contratos com o Departamento de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), em resposta a protestos de grupos de defesa de imigrantes e à pressão pública contra suas práticas de deportação. O CEO Andrew Levy confirmou a decisão, destacando que a empresa se tornou alvo de controvérsias políticas. A Avelo, que já operou como Casino Express e Xtra Airways, enfrentou críticas por realizar voos regulares de deportação a partir do Aeroporto Mesa Gateway, no Arizona. A resistência da comunidade, incluindo iniciativas criativas como candidaturas fictícias, levou à mudança. Embora a decisão não acabe com as deportações, ela é vista como um passo positivo. O sindicato dos comissários de bordo também expressou apoio à decisão, refletindo descontentamento com operações controversas. O fechamento da base da Avelo representa um avanço na luta pelos direitos dos imigrantes, sinalizando que a pressão pública pode provocar mudanças nas políticas de imigração.
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